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09/02/2010 - 17:20h Foto: Divulgação  
Tempo de alegria

Todos temos direito, na medida certa, à diversão e alegria. O Carnaval é uma dessas oportunidades. Com origem no paganismo romano, era uma festa clandestina para homenagear um deus secundário – o deus Baco – durante a qual os foliões saíam num carro navio: Carrus Navalis. Aceita pelo poder romano, a festa foi também assimilada pelo cristianismo, que a fixou na semana anterior ao início da quaresma, com um novo sentido o de “carne levare”, dias com direito a comer carne e com direito à diversão sadia.

ALEGRIA e responsabilidade constituem atitudes profundas no homem e não contrastam entre si. Temos até necessidade de cultivar sentimentos tão sagrados. O Carnaval, que transcorre nestes dias, deveria trazer para todos momentos de descanso, de fraternidade e de alegria. Mas é igualmente a responsabilidade que deve ser levada em conta, pois nos obriga a examinar as condições para que esta alegria seja duradoura e extensiva a todos.

DURANTE o Carnaval, nos quatro cantos do país, a alegria toma conta da alma brasileira despertada pelos sons, ritmos, cores e movimentos. Um fenômeno cultural cujo poder de comunicação não há crise econômica, política e social que ofusque. O Carnaval parece devolver a alegria ao povo e, ao menos durante três dias, ricos e pobres, riem e se divertem juntos no mesmo espaço.

A DIVERSÃO, porém, não pode dar lugar a exclusão. O que era antes uma tradição cultural passa hoje a ser explorado por “bandas empresa” que realizam um carnaval, na rua, para foliões que possam pagar (caro) pelo direito de brincar dentro do cordão de isolamento. Nossas manifestações culturais devem se revestir do acolhimento, da alegria, da partilha, e não o contrário. A cultura se constrói com a participação do povo, não com a exploração deste.

O CARNAVAL pode ser aproveitado como um tempo de festa e de alegria, sem exageros, sem abusos e sem dor de cabeça no dia seguinte. Qualquer um pode se alimentar bem, dançar, pular, gritar, mas sabendo que no dia seguinte a vida continua. Saúde jogada fora é vida a menos. Pior ainda, quando ela não volta mais.

A ALEGRIA faz bem para todos. O que se sugere é não abdicar da própria dignidade e responsabilidade. Não achar que a natureza pode ser driblada. Ela é exigente e se vinga contra os que a desrespeitam. Que será de muitas pessoas após o Carnaval, quando as fantasias forem jogadas fora e a quarta-feira de Cinzas devolvê-las à realidade? São Paulo recomenda: “O Senhor espera de cada um uma conduta digna de quem é Templo do Espírito Santo” (I Cor. 6,19), no Carnaval e em todos os momentos da vida.

Dom Itamar Vian
Arcebispo Dom Itamar Vian
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